sábado, 10 de agosto de 2013

Casei

Depois da correria que foi a busca de um emprego, final de ano na universidade e preparativos para o casamento, me dei de presente as primeiras férias de verdade depois de longos anos. Ou seja, um tempo para nao fazer nada, assistir séries, aproveitar o sol, e finalmente, escrever um pouquinho sobre o que acontece na vida fora do facebook e outras redes sociais.
Nunca fui a maior entusiasta do casamento, sendo que sempre achei lindas as cerimônias em que fui, mas pensava : Isto nao é para mim! Nao brinquei com a Barbie noiva, nao queria ser a princesa da Disney. Desde pequena me imaginava com uma profissao, filhos e um companheiro (nesta ordem), mas o vestido merengue nao estava nos meus planos.
Até que depois de quase 7 anos de vida em comum, depois de momentos dificeis e maravilhosos juntos, depois de muito stress com  a tese, de aprendermos a conhecer um ao outro e, assim, amadurecer juntos, a decisão foi tomada : E ai, vamos casar?
Foi uma decisão conjunta e refletida e por isso nao houve pedido oficial. Nem mesmo aliança ou noivado. Filhos de pais separados, nos hesitamos diante do perigo de haver um divorcio mais adiante e de sofrermos com isso. Mas nao temos a mesma experiência que nossos pais tiveram e queremos construir uma historia juntos que seja diferente. Claro que ha um risco de nao dar certo, mas viver é isso, é correr riscos! Pode ser que dê certo também e apostamos nisso.
Dia 20 de julho de 2013 foi um dia muito especial pois disse "Sim" ou "Oui" com a voz tremida pelo choro para o cara que eu escolhi como meu companheiro de vida.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O meu tour de France

Como eu havia explicado ha alguns posts atras, eu participei de uma seleção para poder me candidatar à um cargo de professora nas universidades francesas. Passei a primeira etapa e devia encara a segunda, onde tinha que me apresentar diante de uma equipe de jurados (professores) que iriam dizer em seguida se eu era apta ou não para trabalhar com a equipe deles. Em cada entrevista havia em média 8-10 candidatos (maximo 12, minimo 6) e o stress nas primeiras entrevistas beiravam niveis no limite do suportavel.

Por onde andei...


Toulouse (22/04). Ainda não conhecia essa cidade, a 4a maior da França depois de Paris, Lyon e Marselha. Tive uma sensação otima, curti muito o clima de la, acho que o sudoeste da França é uma das regiões onde as pessoas sao mais simpaticas. A começar pelos meus amigos Patricia e Luis que nao sao franceses, mas moram la. Eles me acolheram muito bem e me levaram para experimentar pratos tipicos. Nao foi dessa vez que eu experimentei o famoso cassoulet (feijao branco com pato) mas provei um canard confit (carne de pato cozida na panela) dos deuses. Esses momentos relax para conhecer a cidade, beber um bom vinho na cia dos dois foram fundamentais para eu nao ficar tao estressada. E isso eu estava e muito ! Imaginem a situação : entrevista de emprego. Agora imaginem que essa mesma entrevista nao é feita com a equipe de recursos humanos ou com o teu futuro chefe, mas com 16 professores sentados na tua frente ! Eu tinha que apresentar meus trabalhos durante 10 minutos e apos eu tinha 15 minutos de questões. Sobre tudo !! Sai de la com sensação de fracasso, pois estava muito tensa e gaguejei. Isso! Eu nao falo muito bem em francês quando estou nervosa ou cansada. A boa noticia é que descobri ha alguns dias que dos 9 candidatos presentes eu fiquei em 4o lugar. Essa classificação para mim teve gostinho de 1o lugar, pois foi dificil demais.


Centro de Toulouse, os prédios são rosados.

Volta para Grenoble : covoiturage (sistema de caronas pagas). Eficaz, barato e ecologico!

Next direction : Saint Nazaire (06/05). Entre Toulouse e Saint Nazaire eu tive um tempinho para descansar, pois essa foi no mês de maio. Peguei um voo de Lyon até Nantes e depois um trem até Saint Nazaire. Eu tive a sorte de ter uma amiga que era de la e assim pude ficar hospedada na casa dos pais dela.  Isso faz toda a diferença pois pude conhecer a cidade antes de passar pela entrevista. Ao contrario de Toulouse, onde fiquei na frente do pc revisando mil vezes antes de me apresentar, em Saint Nazaire deicidi que iria fazer um pouco de turismo. Fui à La Baule (praia linda do lado de SN), passeei com eles pelo centro, pelo porto e até pelo distrito industrial (neste ultimo pude recuperar dados preciosos para apresentar na minha entrevista). Aprendi um pouco de historia, pois a cidade foi completamente arrasada durante a 2a Guerra assim como outros portos importantes na França. A presença do exército alemão ainda é muito recente e deixou marcas profundas nessa região. Apesar de serem como os bretões, oficialmente Saint Nazaire faz parte do Pays da Loire. Quanto à entrevista : o cargo não era muito interessante, era para ensinar logistica que nao é muito a minha area, mas ja vi que os professores eram bem mais acessiveis que em Toulouse. Ao invés de 16, aqui eram 6 professores. Clima convivial, perguntas interessantes e senti que eles apreciaram a minha prestação. Ainda não sei qual a minha classificação, mas sabendo que havia duas candidatas locais, tenho consciência que dificilmente serei a primeira colocada. O que me atraiu aqui foi o estilo da cidade na beira da praia, a proximidade de Nantes, cidade grande e com aeroporto e também a equipe de trabalho.
A famosa ponte de Saint Nazaire que atravessa o estuario do rio Loire

Terminada a entrevista fui direto para Nantes pegar o meu voo de volta. Briguei com a funcionaria da Easyjet que nao queria aceitar minha pequena mala na cabine. No final deu tudo certo, mas o stress foi desnecessario.

Depois de alguns dias em Grenoble me preparando para a terceira entrevista, fui para Clermont-Ferrand (10/05). Ha três horas de Grenoble, decidi ir de carro. Para isso, me inscrevi no site do covoiturage e aceitei a cia de 3 gurias que pagaram para ir comigo até Clermont Ferrand. Sobre o cargo : não era em Clermont Ferrand, mas em Montluçon, cidade minuscula ha 1h30 de CF. O cargo nao era muito na minha area, tb na area de logistica, fui sem muitas expectativas. Como não tinha certeza de como iria me sair nas outras entrevistas, ia em todas, mesmo naquelas onde as atividades nao me interessavam muito. A cidade de CF é muito bonitinha, é uma região de vulcoes (extintos) e os invernos costumam ser mais frios que em Grenoble. As pessoas não são especialmente simpaticas, vide que eu estive em Toulouse e em Saint Nazaire onde a simpatia é caracteristica local. A principal surpresa em CF foi que encontrei uma outra brasileira que também estava fazendo entrevistas. Rimos pois nao nos demos conta até eu perguntar, mas afinal, teu sotaque é daonde ? Quanto a entrevista : eu fui bem, estava muito segura de mim, mas tinha uma professora que era muito chata. Ela sabendo que eu nao era da area da logistica me perguntou como eu iria tratar meu primeiro curso de introducao a logistica para o primeiro ano da graduação. Eu respondi de maneira diplomatica citando alguns temas de base que eu me lembrava, mas que estaria aberta a sugestoes da equipe, pois teria que me adaptar ao modo deles. Ora, um curso se prepara bastante, nao em 5 segundos durante uma entrevista. No final, essa mesma prof deixou subentendido que ja havia muitas mulheres na equipe de Montluçon. Ao que me deu vontade de dizer, que otimo, entao vou embora.
Momento cara de pau : cheguei na entrevista quase sem bateria no celular e antes de começar pedi se poderia carrega-lo. No inicio nao quiseram, pois eu poderia estar gravando, mas a graça e simpatia brasileiras conquistaram a confiança dos jurados.
Curiosidade sobre Clermont-Ferrand : a empresa Michelin, do bonequinho branco, é de la.
Praça central de Clermont Ferrand, cidade simpatica, mas pessoas gélidas.
O simbolo da cidade
Voltei de carro, dessa vez sem dar carona. 6 horas no mesmo dia foi bem cansativo.

De volta a Grenoble, tive que descansar um pouquinho, ou seja 1 dia sem fazer nada, absolutamente nada para me preparar para a etapa mais dificil do tour de France : o trajeto para Potiers (13/05).
Apesar de a França ter um sistema otimo de trens com os famosos TGV (trens super rapidos), certas regioes nao sao de facil acesso, ainda mais quando se mora longe de Paris. Pois esse foi o  problema para ir para Poitiers. O trajeto iria me custar 300 euros passando por Paris (além do tempo do trajeto ser mais longo, passagens de ultima hora costumam ser bem caras). Assim decidi pegar o carro e encarar 6h30 de road trip. Observação : eu nao dirijo ha muito tempo e esse foi um super desafio. Claro que nao consegui fazer a viagens nas 6h 30, pois parava a cada 2horas para me esticar, beber um café, comer algo. No total demorei quase 8 horas. Chegando la, fiquei num hotel bem simples, mas o pior nao era isso, era que embaixo tinha um bar de bebado. Serio, tava muito podre, senao teria dado meia volta. Eu so queria um banho e cama fofa. Nesse ponto, o hotel era correto, chuveiro bom e banheiro limpo.
A cidade de Poitiers é muito bonita, é toda fortificada, com prédios super bem conservados. Decidi ir na entrevista a pé para conhecer um pouquinho mais. Maldita idéia, pois a cidade é para esportistas. So tem lombas  e daquelas de cansar mesmo. Ainda bem que eu tive a maravilhosa idéia de ir de sapatilhas e colocar o salto na bolsa.  Me senti como Uma secretaria de futuro (filme dos anos 80) andando pelas ruas de NY de tênis e colocando o salto no escritorio.
Ponto alto de Poitiers : o cargo me interessava muito, era em estratégia e desenvolvimento territorial. Ainda mais pois o clima era muito bom, havia uma mesa de pebolim na sala dos professores e a recepcao com café e bolo marcou muitos pontos. Eu presto atençao nesses detalhes. Nisso descubro que eles tem muitos projetos com o Brasil e que precisavam de alguém que estivesse disposto a trabalhar entre os dois paises. ai, ai ai !!! A entrevista foi boa, achei que tinha grandes chances, pois nao ha muitos candidatos com o meu perfil.
Poitiers: lindinha, mas é tão longe...
Depois recebi um balde de agua fria : me adoraram, mas me classificaram em 3o lugar. Ao menos conheci pessoas que trabalham sobre o meu tema e com o Brasil. Bons contatos com a diretora da faculdade que me contatou pessoalmente.

Sai rapidinho de Poitiers para encarar a proxima etapa : Pau (14/05). Sorry, mas nao é nenhum palavrão, é o nome da cidade mesmo e se pronuncia Pô. Ha 5 horas de viagem de Poitiers em direção aos Pireneus, cadeia de montanhas que separa a França da Espanha. Cheguei podre de cansada e fui direto para o hotel. na verdade nem deu tempo de conhecer a cidade pois minha entrevista era prevista para as 8h da manhã. O campus parece ser bem legal e os professores acessiveis. Fiquei com uma otima impressao. Eles estavam muito interessados com o meu perfil internacional e tb com o fato de me comunicar em espanhol (nao digo que falo, pois nao posso exagerar, mas a gente se entende). O problema de Pau é que apesar de ser um lugar tranquilo, agradavel, perto da montanha e da praia, é muito longe de tudo. A cidade mais proxima é Toulouse e o trajeto de carro até Grenoble é impraticavel. A minha volta duraria mais de 8 horas, por isso decidi fazer um pit stop em Toulouse, novamente na casa da Patricia e do Luis, antes de encarar mais 5h30 até Grenoble.
Cidade que apesar do nome estranho é otima. Onde achei as pessoas mais agradaveis.
Segundo informações do comitê de seleção, em Pô eu fiquei em 3o lugar. Nada mal, sabendo que havia uma candidata local e uma outra que conhecia todo mundo.

Depois dessa etapa, tinha mais uma entrevista, agora com a Corsega (17/05). Hesitei muito se ia ou nao ia, pois é uma ilha e é complicado de chegar até a Universidade que fica nas montanhas.  Além disso, o trajeto de trem e avião teria um custo alto. Estava quase certa de nao ir, até que tenho a brilhante idéia de perguntar se posso fazer a entrevista por videoconferência. E o pedido é aceito! Depois de tanta formalidade, confesso que fiquei surpresa. Esse cargo, apesar de ser numa area que eu adoro : PME e territorio, nao estava nas minhas prioridades. Alias, provavelmente recusaria caso fosse classificada em primeiro lugar. Assim, fiz sem stress nenhum e ai foi nesse momento que me dei conta que virei uma pro das entrevistas. Tirei de letra todas as perguntas feitas durante os 45 minutos. Foi longa, mas as questoes eram interessantes, nao pareceu tanto. Adorei a equipe, mas o diretor da faculdade fez o comentario no final : "Pensa bem antes de aceitar vir para ca, caso tu tenhas a escolha".
Infelizmente não deu para ir nessa ilha.

Não conheço o resultado da Corsega, mas acho que fui bem classificada.

Tudo ia se encaminhando para a ultima etapa : Direction la Bretagne! Essa foi a região onde mais tive entrevistas: Brest (20/05) e Rennes (22 e 24/05). Dada a distância entre Grenoble e Brest, fomos de avião. Digo no plural, pois desta vez fui acompanhada da Jessica, amiga e colega da faculdade de Grenoble. Ela ia fazer uma entrevista em Brest no mesmo dia que eu. Eu não sei explicar direito, mas me sinto em casa nessa região. Ja conhecia Brest de outros carnavais. Fui duas vezes de férias em Roscoff que fica ali perto e tinha que passar por Brest, e também em uma conferência em Brest. Reservei no mesmo hotel de sempre, mas com uma promo daquelas otimas na internet. Pegamos o melhor quarto, parecia estilo palacio. Acho que mereciamos, pois nos duas ja nao aguentavamos mais ficar viajando para essas entrevistas. Acho muito mais agradavel poder viajar com alguém junto, pois da para passear, conversar e isso ajuda a ficar menos estressada. Apesar que nos duas nao estavamos nem um pouco estressadas.
Porque Brest ? A cidade fica na praia, com agua gelada, mas é praia, é na região da Bretanha, tem aeroporto, os aluguéis sao beeeem baratos e o cargo me interessava. Pelo jeito ja da para perceber que o fato de o cargo me interessar nao é a unica variavel, é importante, mas tem todo um sistema a analizar (logistica, habitação, cultura, universidade). A Jessica foi pela manhã e não achou que foi bem. Eu tinha a minha entrevista a tarde. Os jurados eram quase os mesmos que ela teve pela manhã. Chegada a minha vez, depois de quase 2h de atraso, apresento os meus trabalhos. Os professores nao tem tempo a perder e cortam no ultimo slide dizendo que os meus 10 minutos haviam acabado. Dai vieram 5 minutos de questões sobre a minha vida pessoal e se eu realmente viria morar em Brest. Vi que para eles era so isso que interessava. Respondi mal, disse que viria mas que se nao desse certo na França talvez fosse para o Brasil. Ai tu vê que uma frase mal colocada  estraga tudo. Nao tenho os resultados oficiais, mas acho que nao fui classificada.
Brest sempre acolhedora, mas o tempo estava dificil.
A tardinha pegamos o trem para ir para Rennes.

No dia seguinte tinha a minha proxima entrevista em Rennes 1. Coloquei um numero, pois em Rennes tem duas universidades : Rennes 1 e Rennes 2. Ficamos hospedadas na casa do Franck, colega que fez a tese em Grenoble e que atualmente mora em Rennes. Ele foi muito querido, um otimo anfitrião e foi otimo poder reve-lo depois de tanto tempo. A essa altura do campeonato, eu ja estava chutando o balde, nao tava nem um pouco estressada com as entrevistas. No dia seguinte fomos os três para a faculdade e eu na maior cara de pau digo que quero tomar um café antes de ir para entrevista. Nao estavamos adiantado, logo iriam verificar se eu estava la, mas eu queria um café. Acabei falando para uma candidata : olha, vou ali embaixo tomar um café, qualquer coisa diz ai que eu volto daqui a pouquinho. Na verdade eu falei isso pois ja sabia que eu sempre ficava por ultimo, pois meu sobrenome começa com S. Nao foi por maldade, foi por ser sem noção mesmo. So sei que o pessoal me olhou com cara de quem é essa guria? Chegado o momento da entrevista eu apresentei tudo de maneira super tranquila, respondi tao bem as questoes que quase pensei, nem sou eu quem esta respondendo. Mas era, dei o melhor de mim! E sai de la confiante. So que dai o stress começou a tomar conta, pois eu estava aguardando a bendita ligação, a ligação que o presidente do jury faz para quem ficou em 1o lugar. Eu sabia que se em Rennes eu nao fosse a primeira, todos os outros queriam ir para la. Ou seja, sem chances.
De toda a maneira, comemorei uma boa entrevista, a melhor de todas. Fomos jantar em uma creperia e bebemos cidra. No dia seguinte pela manha, fico sabendo que fui eu a escolhida !!! Quanta alegria ! Liguei para todo mundo que eu podia porque nao sei ser discreta hehe.
Meu novo lar : Rennes!
Nesse dia aproveitamos para passear e conhecer Rennes. Eu ainda pensava se iria na ultima entrevista ou nao, na sexta, pois minha escolha ja estava feita, seria Rennes 1.  Fui, né? Mas todos sabiam da minha classificacao, da minha preferência. Fiquei em 3o lugar em Rennes 2. De toda maneira, apresentar os trabalhos nessas entrevistas, mesmo naquelas que nao interessam muito é uma otima forma de se tornar conhecida, de desenvolver o networking.
Esses dias me ligaram com uma proposta de pos doutorado em uma universidade do sudoeste. Isto porque ficaram sabendo sobre as minhas tematicas de trabalho. Tive que recusar, porque prefiro ter um cargo fixo.

Faz alguns dias que terminei toda essa funçao, estou tentando repor as energias, mas tenho tido muito trabalho na minha volta a Grenoble. Preciso de férias urgente !


domingo, 2 de junho de 2013

Recapitulando

E ai que muita coisa aconteceu depois que eu parei de escrever por aqui. Nao recomecei a correr, infelizmente pois 2013 tem sido um ano bem movimentado.

Abril, fui para Inglaterra. Queria ter ficado mais tempo, mas foi otimo poder conversar so em inglês. Sempre tive esse plano para melhorar vocabulario, dicçao e entender melhor os britânicos. Ainda acho complicado o sotaque deles.
 York é uma cidade linda, nem grande, nem pequena e onde as pessoas sao extremamente simpaticas. O custo da cidade é ok, nao achei tao caro quanto Londres e a familia que me hospedou foi nota 10! Além disso fiz alguns amigos espanhois e sul coreanos. Quero muito voltar quando o tempo e o dinheiro permitirem!


O plano era ficar até final de abril em York, mas tive que mudar meus planos pois fui convocada para uma entrevista na Universidade de Toulouse no final de abril. Foi um sufoco, pois sem internet na casa onde estava hospedada, quem fez tudo por mim foi meu chéri. Haja conta de telefone internacional, mas conseguimos achar algo nao tao caro e de ultima hora. Aviao até Paris e depois trem até Toulouse.

Comentarios sobre esse longo trajeto : os aeroportos britânicos sao super rigorosos com  a "segurança" nos voos. Me revistaram, olharam até meus pés, minha bolsa passou 2x pelo raio x. Passei por momentos de desespero pois estava quase perdendo meu voo com tanta revista.
Aeroporto Charles de Gaulle em Paris. Malas, filas quilométricas e sensação que nunca vou conseguir sair desse labirinto. Depois de quase 7 anos na França nunca mais tinha posto os pés nesse aeroporto. Alias, tinha bloqueado, pois sempre o achei extremamente confuso e porque quando cheguei na França foi por la. A sensação de estar perdida em um lugar onde tu nao conhecia ninguém e mal falava a lingua me marcaram até hoje. Nao gosto, mas nem sempre podemos escolher quando se tem que chegar rapido em algum lugar.
Metro em Paris e malas : não combinam, definitivamente. Um dia vou poder viajar sem malas so com o cartão de crédito. Enquanto esse tempo não chega, sou bem sacoleira, levo a minha casa nas costas, mas ja houve progressos.
TGV Paris - Toulouse : 5 horas de puro descanso com paisagens lindas. O mundo inteiro deveria ter esses trens.

E assim começou o meu tour de France onde eu viajei por uma boa parte do hexagono...

domingo, 24 de março de 2013

Run Laura run!

Relendo outros blogs sobre emagrecimento, vida saudavel, vi que deixei um grande prazer de lado, a corrida.
Comecei timidamente em 2010, fiquei empolgada, quis correr mais que o meu joelho aguentava e acabei machucando. Resultado: 3 semanas de repouso e muita dor no joelho.
Mas isso nao foi suficiente para me fazer parar, a partir dai comecei a correr com uma certa frequência, no parque ou na academia. No ano passado, junto com algumas colegas do lab, corremos nossa primeira corrida em prol da pesquisa sobre o cancer de mama:  a Grenobloise, com um percurso de 6km. Adorei a sensação! Imagina correr com uma torcida te motivando ?
Agora, faz 4 meses que parei. E eu nao estou gostando disso. Sinto falta, mas com um inverno tao frio e cheio de neve nao senti muita empolgacao para calçar meu par de tenis. Outro dia, recebi um email de uma colega convidando para correr uma outra corrida com o mesmo objetivo : a Echirolloise. Ja topei, claro! Mas preciso ainda treinar muito para voltar a boa forma de antes. Decidi que se nao treinar, faço os 5km. Caso eu realmente leve o objetivo a sério, tentarei os 10km.
Afinal, com tantas preocupações nos ultimos tempos (emprego, mudar de cidade e casamento), o esporte so pode ajudar/

sábado, 23 de março de 2013

Casar ou não casar, eis a questão!

Ao contrario da idéia de que toda moça quando chega aos 30 queira formalizar a relação com o namorado, eu nunca tive o sonho de me casar, no sentido formal da coisa. Isto nao quer dizer que eu nunca tenha querido ter um companheiro, mas nao achava necessario ter que usar um vestido branco ou assinar um papel para isso.
Acontece que chegou a minha vez de passar essa etapa. Visto que eu nao sou uma cidadã européia e pretendo seguir minha carreira por aqui, preciso formalizar minha situação, ou seja, adquirir o visto permanente. Casando, o procedimento é bem mais facil. Existem outras maneiras, mas estou em um momento que prefiro casar do que enfrentar filas quilométricas e apresentar uma série de documentos que nunca sao suficientes para a burocracia da administração francesa.
Explicando desse jeito até pode parecer que não somos românticos (e nao somos mesmo, talvez eu um pouco), mas a idéia de casar começou a crescer. Do simples "tenho que assinar um papel" me vejo fazendo listas de convidados e imaginando que vestido usarei (ja adianto que nao sera branco). Claro que se minha familia estivesse aqui seria muito mais facil, mas como nao esta, farei algo bem simples, so para marcar o momento.
Uma amiga que era da mesma opiniao que eu, mudou logo depois que decidiu casar (no civil, somente). Ela me explicou que o fato de celebrar a uniao com as pessoas proximas, faz com que o casal fique mais unido. Talvez seja verdade, pois li ha alguns anos que na França casais que se casam no civil ou no religioso tendem a se separar menos do que casais que so moram juntos, mas que sao igualmente casados. http://tempsreel.nouvelobs.com/societe/20090422.OBS4299/un-enquete-exclusive-sur-la-sexualite.htmlhttp://tempsreel.nouvelobs.com/societe/20090422.OBS4299/un-enquete-exclusive-sur-la-sexualite.html

Assim veremos como vai ser a vida de casados. Ja comecei a ter surpresas do lado da alma gêmea que gostaria de trocar alianças !

terça-feira, 19 de março de 2013

Compliance

Fugindo dos topicos sobre emprego, universidade etc. Trago um assunto muito interessante tratado em um blog que eu leio com uma certa frequência. Baseado em fatos reais, o filme Compliance trata da submissão a autoridade levada a niveis extremos. Esta é uma realidade tao longe da nossa?
Boa leitura!

Via : http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/03/ate-onde-obedecer.html

Vi um filme perturbador esses dias: Compliance. É uma produção americana independente que fez relativo sucesso em Sundance no ano passado (veja o filme online com legendas).

Mas, se chegar ao Brasil, irá direto pro dvd, porque não tem atores famosos nem nada. Uma leitora me falou do filme, já faz tempo, e finalmente vou spoileá-lo pra você. Desculpa, é só que é difícil falar dele sem revelar um pouco do que acontece.
Compliance é uma palavra feita sob encomenda pro título, porque significa concordância, conformidade, obediência. E é disso que trata o filme. Começa com a gerente de uma lanchonete de fast food sendo insultada pelo fornecedor. A grande crise é que algum funcionário deixou um freezer aberto e eles perderam bacon e picles (imagina uma lanchonete sem esses ingredientes básicos do consumidor americano!).
No meio do expediente, a gerente recebe um telefonema no seu escritório: é um policial perguntando o nome de uma jovem funcionária loira. Ela teria supostamente roubado a carteira de uma cliente. Há provas e tal, segundo ele. E agora ele vai conduzir uma investigação e precisa da ajuda dela, da gerente.
Falou com a pessoa certa. Segundo Barbara Ehrenreich, não há ninguém mais conformista, mais puxa-saco do poder, que gerentes de lanchonetes. É o que ela afirma no seu livro Nickel and Dimed. Pra escrevê-lo, ela trabalhou durante poucos meses nos empregos que não exigem qualificação (diarista, garçonete, funcionária no Walmart). E ela chegou à conclusão que é impossível alguém sobreviver nos EUA ganhando 7 dólares a hora, que é basicamente o salário mínimo. Tem que ter mais de um emprego, senão não dá pra pagar o aluguel. 
Enfim, Ehrenreich conta que o gerente da lanchonete em que ela trabalhou não podia ver qualquer garçonete parada. Sentada, nem pensar. Ele imediatamente mandava a moça fazer alguma outra coisa, porque ficar sem fazer nada equivaleria a roubar dinheiro do empregador. E, pra piorar, quem disse que gerente ganha bem? Ganha só um pouco melhor que os funcionários que ele ajuda a explorar.
A gerente em Compliance não parece ser má pessoa, mas ela tem uma missão a cumprir: obedecer a quem manda e fazer com que seus subordinados obedeçam. Portanto, quando o policial, por telefone, pede pra que a gerente reviste a funcionária, ela obedece. Quando ele lhe pede para que a moça tire a roupa para ser revistada, ambas ficam sem jeito, mas concordam.
E o filme vai piorando, como se fosse um legítimo filme de terror. A funcionária tem que permanecer nua dentro da sala, mal coberta por um avental. E -- o policial insiste por telefone -- ela precisa ser vigiada. Como a gerente não pode ficar com ela o tempo todo, porque a lanchonete está cheia, ela deixa (seguindo as recomendações do policial) um jovem cozinheiro pra supervisioná-la. E ele também passa a seguir instruções.
A identificação é enorme. Quem vê o filme pensa: e se fosse comigo, eu iria concordar com a figura de autoridade na linha? Até que limite? Eu me rebelaria? E quando eu perceberia que aquele cara ao telefone não é policial coisa nenhuma?
O jovem cozinheiro se recusa a fazer o que o homem na linha manda. Mas sua preocupação com a colega acaba aí. Ele não tenta chamar a polícia pra comprovar a história, nem se intromete pra barrar o que virá em seguida. O mesmo com a sub-gerente, que mostra empatia pela moça, mas tampouco mexe um dedo para ajudá-la.
Enquanto isso, o homem na linha não para de elogiar a gerente –- como ela é cooperativa, como ela está ajudando, como ela manja do assunto. Ele pede que ela deixe algum outro homem tomando conta da garota. Ela deixa o noivo, um senhor de meia idade, que tinha saído pra beber umas cervejas com os amigos.
E aí a funcionária é estuprada. E o noivo está apenas cumprindo ordens.
Você vê o filme e começa a xingar a tela. Não, não é possível! Ninguém seria tão estúpido de cair num trote desses! E como o filme pode mostrar que tanta gente cai? Negativo, é pura ficção. Eles só podiam estar mentindo quando disseram que a trama era baseada em fatos reais.
Exceto que... é verdade mesmo. Tudo isso aconteceu. Uma reportagem de 2005 (sete anos antes do filme existir) descreve todo o horror. Um episódio de Law and Order: SVU com o Robin Williams usa o caso como pano de fundo. Ah, mas mesmo assim os realizadores de Compliance devem ter exagerado! Não. Há um vídeo gravado mostrando o que ocorreu naquela sala. E dá pra ver parte do vídeo nessa matéria de TV.
Pior: não aconteceu só uma vez. Em dez anos, houve 70 casos parecidos nos EUA. Suspeita-se do mesmo sujeito. Registros telefônicos indicam que nem sempre ele era bem sucedido. Às vezes tinha de ligar para dez lojas até que um gerente mordesse sua isca. Mas 70 morderam.
“Quando você aceita a autoridade de alguém, você se torna uma pessoa diferente. Você se preocupa mais em quão bem você está cumprindo ordens do que se elas estão certas ou erradas”, diz um psicólogo que foi biógrafo de Dr. Stanley Milgram, professor de Yale e responsável por um estudo famoso em 1961, que ele realizou para tentar descobrir por que tantos alemães seguiram ordens durante o Holocausto. 
Os participantes do experimento recebiam a ordem de um cientista, que lhes dizia que eles deveriam acionar um botão que dava eletrochoques num aluno cada vez que ele cometesse um erro. A voltagem aumentava a cada erro (o aluno era um ator e não sofreu choques, mas os participantes não sabiam). Apesar do desespero e das súplicas do aluno, quase dois terços dos participantes acionaram os choques. Simplesmente porque uma figura de autoridade os mandou fazer isso. É o bastante pra gente perder a fé na humanidade.
Vídeo real: moça ouve q será revistada
No caso do trote mostrado em Compliance há o componente de que empregados de lanchonetes estavam ávidos por concordar. Uma socióloga lembra que a qualidade mais valorizada num empregado de restaurante fast-food é a obediência. Sem discussão, certo?
Para um agente aposentado do FBI que serve como consultor contra trotes para a franquia Wendy's, “Você e eu podemos julgar essas pessoas como completas idiotas. Mas elas não são treinadas para usar o bom senso. Elas são treinadas para dizer e pensar, 'No que eu posso te ajudar?'”
Vídeo gravado; noivo da gerente
Pouco depois de deixar a lanchonete, o noivo da gerente ligou pro melhor amigo e disse: “Eu fiz algo terrivelmente ruim”. Na vida real, ele tinha 42 anos, dois filhos, era frequentador da igreja, e treinava equipes juniores de baseball. Quando seu amigo depôs, o descreveu assim: “Ele é um ótimo cara, um ótimo modelo pras crianças. Nunca teve sequer uma multa de trânsito”.
A gerente na vida real
Na realidade, o que Compliance expõe se passou num McDonald's, e a gerente rompeu o relacionamento com o noivo após ver o vídeo gravado no escritório. Nunca mais falou com ele. Ela foi suspensa e depois despedida por permitir a entrada de não-funcionários no escritório. Além disso, foi condenada a um ano de prisão. A pena pro ex-noivo foi de cinco anos. Mais tarde, a gerente processou o McDonald's, que não havia lhe comunicado sobre esse tipo de trote. Ela, que também se considera vítima, recebeu um milhão de dólares de indenização.
Vítima na vida real
Já a principal vítima, a menina, desenvolveu síndrome do pânico, insônia, depressão, e desistiu dos planos de cursar medicina. Evidentemente, ela também processou o McDonald's, que a responsabilizou no tribunal por não ter gritado ou saído correndo da loja, ainda que estivesse sem roupa. Não adiantou: em 2007 a franquia de fast food, que vale 19 bilhões de dólares, teve de pagar 6 milhões à moça.
O homem que fez a chamada, e que segue sendo o principal suspeito dos outros 69 trotes, foi absolvido. Ele alegou que não fez nada, além de falar ao telefone. A culpa foi de quem obedeceu.

sábado, 16 de março de 2013

Cherche un job!

Monotematica estou, so falo disso, preciso de um trabalho para o proximo ano escolar que começa em setembro. Enquanto isso preparo dossiers de candidaturas para varias universidades. Se fosse no Brasil diria que do Oiapoque ao Chui, mas aqui vai de Lille à Corsega.
Ando angustiada com a idéia de nao saber onde estarei daqui ha alguns meses, mas certamente o blog tera que trocar de nome pois Grenoble representa a época do doutoranda que ja terminou.
Nao trabalho com a hipotese de nao achar alguma universidade que me receba na sua equipe, mais va que...
Sera que tudo isso vale a pena ?