Essa época de final de ano esta uma loucura. Ainda não falei muito do
meu trabalho pois ha tanto a dizer que preciso de tempo para me
concentrar e poder explicar tanta coisa que foi acontecendo nesse ultimo
ano, ou primeiro ano de Rennes.
Por estar nessa bolha acabei não
aproveitando tanto uma das coisas que Rennes tem de bom, uma vida
cultural super dinâmica. E não estou me referindo somente à operas e
museus, como ja falei no post anterior, falo de concertos, de shows,
teatros.
Tenho uma turma de amigos bem internacional, dois deles
viveram muitos anos no Equador e me apresentaram uma dupla mexicana :
Rodrigo y Gabriela. Eles iam se apresentar em Rennes e me convidaram.
Fui sem nem saber o estilo, nada. Minha cabeça andava perdida com outras
coisas.
Quinta-feira, dia 11/12, me rendi à musica. Para quem
gosta de violão, é um prato cheio, são artistas inovadores. Tem que ver.
Aqui vai uma palhinha da dupla
domingo, 14 de dezembro de 2014
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Contradizendo
Dizem que a chegada aos 30 é um marco no amadurecimento da pessoa. Eu não vi os 30 chegar, eles me atropelaram. Quando percebi, la estava eu com 30... Isso ha 3 anos atras. Ou seja, tenho agora 33, como dizem, a idade de Cristo. Mesmo eu não sendo fã das interpretações que esses livros sagrados tiveram nesses dois ultimos milênios, as referências religiosas ja são banalizadas nas nossas expressões. Eu e o JC temos a mesma idade, o que quer que seja que isso quer dizer !
Na verdade, quando completei 30 nem quis comemorar. Estava preocupada com outras coisas mais importantes do que a passagem de mais um ano. A unica coisa que me importava era a passagem do tempo para a minha tese de doutorado. Tinha que termina-la, o que fiz logo apos completar 31 anos. Depois a corrida era para achar um emprego na minha area e correspondente ao meu diploma, o que consegui logo apos completar 32 anos.
Agora, mais tranquila com a minha segurança psicologica e financeira (não querendo dizer que eu não precise de terapia nem que esteja com todas as dividas em dia!), as coisas começam a se estabilizar e a visão do todo se mostra de forma mais evidente. O que quero para mim ? Corro atras de que mesmo ? Os objetivos antes eram de médio prazo, terminar os estudos, obter um diploma e um bom emprego. Agora, preciso definir objetivos de longo prazo.
Lembro que tive uma sensação parecida no dia em que defendi a tese. Cheguei em casa e assisti todas as bobagens que passavam na televisão no horario da tarde, era um vazio que se criava e... Algo novo precisava ser criado!
O que ? Para ser mais exata, ou ao contrario, para não revelar nada, não sei. Uma coisa é certa, essa visão do todo, adquirida depois que é possivel pegar um pouco de folego antes de continuar, ajuda a redefinir prioridades e a concentrar tua energia.
Força, foco e fé, dizem os viciados em academia, mas não deixa de ser verdade.
Eu que sempre estudei a proximidade dos individuos nas empresas, agora valorizo o isolamento, o distanciamento para poder pensar por mim mesma, ou (que contraditorio!), me inspirar em outras influências da Bretanha.
Esse texto parece sem pé nem cabeça e me dou conta que... "entendendedores" pensam que entenderão... Finalmente escrevo para mim mesma, mas de maneira publica.
Contradições mil, mas quem nunca ?
Na verdade, quando completei 30 nem quis comemorar. Estava preocupada com outras coisas mais importantes do que a passagem de mais um ano. A unica coisa que me importava era a passagem do tempo para a minha tese de doutorado. Tinha que termina-la, o que fiz logo apos completar 31 anos. Depois a corrida era para achar um emprego na minha area e correspondente ao meu diploma, o que consegui logo apos completar 32 anos.
Agora, mais tranquila com a minha segurança psicologica e financeira (não querendo dizer que eu não precise de terapia nem que esteja com todas as dividas em dia!), as coisas começam a se estabilizar e a visão do todo se mostra de forma mais evidente. O que quero para mim ? Corro atras de que mesmo ? Os objetivos antes eram de médio prazo, terminar os estudos, obter um diploma e um bom emprego. Agora, preciso definir objetivos de longo prazo.
Lembro que tive uma sensação parecida no dia em que defendi a tese. Cheguei em casa e assisti todas as bobagens que passavam na televisão no horario da tarde, era um vazio que se criava e... Algo novo precisava ser criado!
O que ? Para ser mais exata, ou ao contrario, para não revelar nada, não sei. Uma coisa é certa, essa visão do todo, adquirida depois que é possivel pegar um pouco de folego antes de continuar, ajuda a redefinir prioridades e a concentrar tua energia.
Força, foco e fé, dizem os viciados em academia, mas não deixa de ser verdade.
Eu que sempre estudei a proximidade dos individuos nas empresas, agora valorizo o isolamento, o distanciamento para poder pensar por mim mesma, ou (que contraditorio!), me inspirar em outras influências da Bretanha.
Esse texto parece sem pé nem cabeça e me dou conta que... "entendendedores" pensam que entenderão... Finalmente escrevo para mim mesma, mas de maneira publica.
Contradições mil, mas quem nunca ?
terça-feira, 22 de abril de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Rennes, novo lar
A instalação Rennes ainda não esta completa, estou em um momento de transição apesar de ja estar aqui ha 4 meses. Tenho ido com uma certa frequência à Grenoble para encontrar meu par que ainda esta pelas bandas de la. 850 km nos separam e a situação não é facil!
Mas falando de coisa boa, Rennes é uma cidade super agradavel de se morar. Eu não conhecia antes de vir fazer a entrevista aqui. Parecia tão longe, laaaaa na Bretanha, aquela região meio isolada da França. Na verdade, ela não é tão isolada. Atualmente, Rennes fica ha pouco mais de 2h de Paris, mas daqui ha alguns meses deve reduzir o tempo para 1h15, apos as obras na linha do TGV (o trem de grande velocidade). Ou seja, da para dar um pulo em Paris, passar o dia e voltar a noite.
Outro ponto positivo da cidade é a proximidade com o mar. Isso faz com que as temperaturas não sejam tão baixas no inverno. Não querendo desmerecer Grenoble, mas sofri muito no ultimo inverno. O gelo que fica nas calçadas provocou três quedas daquelas, estilo video cassetada. Então, não acho ruim não ter neve por esses lados. Até que pode nevar, mas é algo raro pelo que me disseram. No verão nem preciso dizer que estar a 45 minutos da praia é algo excepcional. Em agosto fomos a duas praias aqui pertinho, Saint Malo, uma cidade medieval, antigo porto, ela é toda fortificada. Do lado ha uma outra praia chamada Dinard. Parece que é la que o Picasso ia tirar férias. As falésias e as trilhas são de tirar o fôlego. E é muito legal acompanhar os movimentos das marés, o mar sobe super rapido mesmo, tem que cuidar quando deixar as coisas na areia enquanto vai tomar um banho.

Proximidade com o mar também significa que temos frutos do mar de otima qualidade. Ostras, camaroes, peixes entre outros crustaceos que eu nao lembro o nome, são a especialidade local. Para quem gosta, como no meu caso, é um prato cheio. Outro prato da gastronomia bretã é a crepe. Ha dois tipos : a crepe com farinha branca, normalmente usada para as crepes doces e a crepe com farinha de "sarrasin" que é um trigo mais escuro e com um gosto mais forte, essa ultima é usada para os sabores salgados. As salgadas são feitas com frutos do mar, presunto ou uma linguiça tipica da região (andouille), pode-se colocar alho poro, ovo, espinafre, queijo e outros acompanhamentos. Para uma gaucha, o fato de não haver crepe com carne de gado é um ponto a ser melhorado. Fica a dica hehe. Especificamente em Rennes, ha o cachorro quente local que é feito com uma salsicha enrolada na crepe.
Continuando nas comidas, a parte dos doces é uma "tuerie" como diriam meus amigos franceses. Aqui se come MUITA manteiga. Aquela salgada, com graozinhos de sal grosso no meio da manteiga. Para se ter uma idéia, a paixão pela manteiga é tanta que se come pão com manteiga e nutella. Pra quê, meu Deus? Então os doces são feitos com muita manteiga, muito açucar e um pouco de farinha. O mais tipico é o Kouign Aman, um bolo feito com essa triplice aliança da gastronomia bretonne. Tem tb outras variações sobre o mesmo tema como o Far Breton, onde se adiciona gemas de ovo, e o Quatre-quart, um pão de lo com muita manteiga. Se um dia um bretão que lê português me vê falando assim das receitas deles, to frita... mas o que importa é que é muito bom. Por isso não compro mais, nem manteiga, nem bolos, pois não duram.
Mas o top do top dessa orgia culinaria é um caramelo local. O caramelo com manteiga salgada (caramel au beurre salé). Alguém me diga quem foi a criatura que inventou essa receita ? Eu amo em forma liquida para botar nas crepes, em forma de balinha de caramelo, do jeito que for. Também esta na lista dos produtos que não compro mais por puro medo de virar uma futura obesa.
Mas não é so de comida que se vive aqui. A cidade tem a peculiaridade de ter varios parques. Lindos!
O principal deles é o parque Thabor. Fica ha 10 minutos da minha casa e é enorme. Cheio de florzinhas, coleção de rosas raras, arvores centenarias, grama muito verde. O clima aqui é parecido com o da Inglaterra (não é a toa que a região se chama Bretanha), e essa humidade com chuva fininha quase todos os dias faz com que as flores e a grama tenham uma cor muito viva.
Além do parque Thabor, que no meu ponto de vista, ocupa o primeiro lugar dos parques que eu ja visitei, em uma competição acirrada com o parque Tête d'Or em Lyon, temos também o parque d'Oberthur. Uma versão menorzinha mas mais privativa, fica em uma zona residencial.
A cidade tem muitos estudantes que vem de toda a Bretanha, França e até de outros paises do mundo. Os bretões acham super internacional, mas depois de Grenoble onde 30% da população era estrangeira, acho Rennes so um pouco internacional. Isto de um ponto de vista de uma estrangeira que sou. Não achei nem a comunidade dos brasileiros em Rennes ainda, nem revendedora da Natura... Da para ver que enquanto a cidade não tiver conexão com o Brasil, para mim ainda é uma cidade interiorana. hehe
O que não quer dizer que a cidade tenha mentalidade interiorana. Isso que é interessante, apesar de ser em um pouco afastada, região agricola, etc as pessoas tem uma personalidade super aberta. Pelo menos, as que eu encontrei até agora. Tenho certeza que deve haver uma certa xenofobia, mas não senti. Em geral, achei as pessoas bem simpaticas, educadas e sorriem. Repito : SORRIEM! Quem mora nesse pais sabe que isso é qualidade rara. O legal é manter um semblante sério, tipo jogo do sério, o primeiro que rir perde. Como péssima jogadora, todo mundo devia me achar uma retardada que sempre sorria, mas aqui ja tive prova de que as pessoas não precisam ser mal-humoradas (ou sérias) para serem respeitadas.
Além disso, em termos culturais essa cidade de 200 mil habitantes tem teatros, operas, varios concertos, cinemas mil... E o povo vai, participa, vai nos cinemas, nas exposiçoes de arte... A vida cultural é muito dinâmica, ao mesmo tempo que ha 5km do centro da para ver as vacas e plantaçoes de brocolis.
Claro que nem tudo são rosas e o principal problema é o tempo cinza e pouco sol nessa parte norte da França. Complementando com a chuvinha fina varias vezes ao dia, da uma sensação meio deprê. Mas vamos nos habituando, petit à petit...
Sobre o meu trabalho ha muito o que dizer, ainda farei um outro post, mas por enquanto me limito a falar sobre as minhas primeiras impressoes sobre a cidade.
Mas falando de coisa boa, Rennes é uma cidade super agradavel de se morar. Eu não conhecia antes de vir fazer a entrevista aqui. Parecia tão longe, laaaaa na Bretanha, aquela região meio isolada da França. Na verdade, ela não é tão isolada. Atualmente, Rennes fica ha pouco mais de 2h de Paris, mas daqui ha alguns meses deve reduzir o tempo para 1h15, apos as obras na linha do TGV (o trem de grande velocidade). Ou seja, da para dar um pulo em Paris, passar o dia e voltar a noite.
Outro ponto positivo da cidade é a proximidade com o mar. Isso faz com que as temperaturas não sejam tão baixas no inverno. Não querendo desmerecer Grenoble, mas sofri muito no ultimo inverno. O gelo que fica nas calçadas provocou três quedas daquelas, estilo video cassetada. Então, não acho ruim não ter neve por esses lados. Até que pode nevar, mas é algo raro pelo que me disseram. No verão nem preciso dizer que estar a 45 minutos da praia é algo excepcional. Em agosto fomos a duas praias aqui pertinho, Saint Malo, uma cidade medieval, antigo porto, ela é toda fortificada. Do lado ha uma outra praia chamada Dinard. Parece que é la que o Picasso ia tirar férias. As falésias e as trilhas são de tirar o fôlego. E é muito legal acompanhar os movimentos das marés, o mar sobe super rapido mesmo, tem que cuidar quando deixar as coisas na areia enquanto vai tomar um banho.

Proximidade com o mar também significa que temos frutos do mar de otima qualidade. Ostras, camaroes, peixes entre outros crustaceos que eu nao lembro o nome, são a especialidade local. Para quem gosta, como no meu caso, é um prato cheio. Outro prato da gastronomia bretã é a crepe. Ha dois tipos : a crepe com farinha branca, normalmente usada para as crepes doces e a crepe com farinha de "sarrasin" que é um trigo mais escuro e com um gosto mais forte, essa ultima é usada para os sabores salgados. As salgadas são feitas com frutos do mar, presunto ou uma linguiça tipica da região (andouille), pode-se colocar alho poro, ovo, espinafre, queijo e outros acompanhamentos. Para uma gaucha, o fato de não haver crepe com carne de gado é um ponto a ser melhorado. Fica a dica hehe. Especificamente em Rennes, ha o cachorro quente local que é feito com uma salsicha enrolada na crepe.
Continuando nas comidas, a parte dos doces é uma "tuerie" como diriam meus amigos franceses. Aqui se come MUITA manteiga. Aquela salgada, com graozinhos de sal grosso no meio da manteiga. Para se ter uma idéia, a paixão pela manteiga é tanta que se come pão com manteiga e nutella. Pra quê, meu Deus? Então os doces são feitos com muita manteiga, muito açucar e um pouco de farinha. O mais tipico é o Kouign Aman, um bolo feito com essa triplice aliança da gastronomia bretonne. Tem tb outras variações sobre o mesmo tema como o Far Breton, onde se adiciona gemas de ovo, e o Quatre-quart, um pão de lo com muita manteiga. Se um dia um bretão que lê português me vê falando assim das receitas deles, to frita... mas o que importa é que é muito bom. Por isso não compro mais, nem manteiga, nem bolos, pois não duram.Mas o top do top dessa orgia culinaria é um caramelo local. O caramelo com manteiga salgada (caramel au beurre salé). Alguém me diga quem foi a criatura que inventou essa receita ? Eu amo em forma liquida para botar nas crepes, em forma de balinha de caramelo, do jeito que for. Também esta na lista dos produtos que não compro mais por puro medo de virar uma futura obesa.
Mas não é so de comida que se vive aqui. A cidade tem a peculiaridade de ter varios parques. Lindos!
O principal deles é o parque Thabor. Fica ha 10 minutos da minha casa e é enorme. Cheio de florzinhas, coleção de rosas raras, arvores centenarias, grama muito verde. O clima aqui é parecido com o da Inglaterra (não é a toa que a região se chama Bretanha), e essa humidade com chuva fininha quase todos os dias faz com que as flores e a grama tenham uma cor muito viva.
A cidade tem muitos estudantes que vem de toda a Bretanha, França e até de outros paises do mundo. Os bretões acham super internacional, mas depois de Grenoble onde 30% da população era estrangeira, acho Rennes so um pouco internacional. Isto de um ponto de vista de uma estrangeira que sou. Não achei nem a comunidade dos brasileiros em Rennes ainda, nem revendedora da Natura... Da para ver que enquanto a cidade não tiver conexão com o Brasil, para mim ainda é uma cidade interiorana. heheO que não quer dizer que a cidade tenha mentalidade interiorana. Isso que é interessante, apesar de ser em um pouco afastada, região agricola, etc as pessoas tem uma personalidade super aberta. Pelo menos, as que eu encontrei até agora. Tenho certeza que deve haver uma certa xenofobia, mas não senti. Em geral, achei as pessoas bem simpaticas, educadas e sorriem. Repito : SORRIEM! Quem mora nesse pais sabe que isso é qualidade rara. O legal é manter um semblante sério, tipo jogo do sério, o primeiro que rir perde. Como péssima jogadora, todo mundo devia me achar uma retardada que sempre sorria, mas aqui ja tive prova de que as pessoas não precisam ser mal-humoradas (ou sérias) para serem respeitadas.
Além disso, em termos culturais essa cidade de 200 mil habitantes tem teatros, operas, varios concertos, cinemas mil... E o povo vai, participa, vai nos cinemas, nas exposiçoes de arte... A vida cultural é muito dinâmica, ao mesmo tempo que ha 5km do centro da para ver as vacas e plantaçoes de brocolis.Claro que nem tudo são rosas e o principal problema é o tempo cinza e pouco sol nessa parte norte da França. Complementando com a chuvinha fina varias vezes ao dia, da uma sensação meio deprê. Mas vamos nos habituando, petit à petit...

Sobre o meu trabalho ha muito o que dizer, ainda farei um outro post, mas por enquanto me limito a falar sobre as minhas primeiras impressoes sobre a cidade.
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