sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Reveillon no Império Austro Hungaro




Esse post autobiografico, talvez com algumas exagerações, resume muitos acontecimentos dos ultimos dias.
Não tinhamos ainda muita certeza do que fariamos no Natal e Ano Novo, depois daquele chove não molha, resolvemos aceitar o convite de amigos para visitar a Austria. Mais precisamente, fomos para Viena, pois não tinhamos como visitar outras cidades na Austria.
Sempre em busca de passagens baratas, acabamos indo no dia 27/12. Sendo assim, passamos um Natal a dois em Rennes com comidinhas tipicas brasileiras e pouco natalinas. O que vale é que tomamos guarana, comemos feijão com farofa e tava otimo! Em seguida, estavamos embarcando para Viena desde Paris.
Tendo em vista os preços altos por termos deixado para viajar de ultima hora, acabamos escolhendo ir de carro até o aeroporto em Paris. Isso também resolveria nosso problema na volta, nosso voo de volta estava previsto para chegar às 22h quando nao havia mais trem. Decidido, faltava so achar um estacionamento barato. Achei! Uma empresa na zona dos hotéis do Charles de Gaulle. Detalhe, nunca tinha dirigido em Paris nem na zona de Paris. So esta parte foi uma aventura, pois que stress, que engarrafamento, que falta de civilidade! Parece que em qualquer lugar do mundo, chegando as férias o pessoal vira bicho. Ok, mas fui na manha, o Tito de copiloto. Chegando em Paris, uma parte do trajeto que deveria durar 30 min durou mais de 2h e assim comecei a estressar com medo de perder o voo. Esquece o estacionamento barato, na pressa fomos obrigados a deixar no estacionamento caro, tant pis! Não queria nem pensar em perder o voo e não ir mais pra Viena.
Quem me conhece sabe do meu trauma com o CDG. Ha 8 anos atras, quando cheguei na França pela primeira vez, foi nesse aeroporto que me perdi, que tive vontade de sentar no chão e chorar num cantinho. Não é pratico, é enorme e cheio de gente. Ok, Madrid e Frankfurt também não são faceis, mas o que me marcou foi o CDG. E la fomos nos, dessa vez descolados em sobrevivência aeroportistica, mas mesmo assim com direito a informações desencontradas dos agentes que deveriam estar la para nos indicar o caminho do portão de embarque.
Chegamos 10 min antes do check in terminar. Quem disse que eu não gosto de viver perigosamente? Detesto, mas meu marido se acha o supra sumo quando chega justo antes. Não gosto de riscos, mas casei com quem gosta, ou seja, da no mesmo.
Eu disse que a aventura da chegada no aeroporto ia ser longa.
Viena, chegada as 22h. Nem vou contar nada do aeroporto, pois foi tão facil que nem tem graça. Depois nossa amiga estava nos esperando no terminal do metro. Ficamos os dois primeiros dias na casa de um amigo dela que foi passar Natal com a familia. Quanta gentileza! Ela nos preparou um jantar tipico de Viena, muitas wursts de todos os tipos, cervejas austriacas (fizemos degustação). Muitas novidades para contarmos uns aos outros, a noite terminou tarde.
Tomando um café em Viena
1o dia em Viena. Considero dia 28, pois dia 27 chegamos bem tarde. Acordamos tarde, então aproveitamos somente a tarde e a noite. Não preciso dizer que estava nevando e que estava muito frio e que congelamos, mas que a vontade conhecer Viena era maior. Para resumir, nenhum dia fez mais calor que -4°C e as vezes ventava e nevava quase todo dia, o tempo inteiro. Vimos o Dom (grande igreja na Stephan Platz), a prefeitura, a Opera, a Biblioteca Nacional. Ouvi dizer que na sacada desta ultima o Hitler fez um discurso em Viena. Para nos aquecermos, fomos no meio da tarde em um tipico café de Viena. Tipico é aquele estilo antigo, sem muitas reformas, cheio de charme e com garçons sempre sérios. Me senti transportada no tempo.
A noite decidimos por um restaurante tipico. Sorte que estavamos com a amiga que conhece Viena na palma da mão e que nos levou para um Basle (restaurante de comida tipica), super tradicional no qual em uma parede tinham autografos do Pavarotti, Johnny Cash, Wagner, entre outras celebridades austriacas e alemãs que evidentemente não conhecemos. Em um restaurante tradicional o que se come? Wiener Schnitzel e uma Weissbier, pra quem não fala alemão (cof cof, desculpa), é um bife a milanesa, pra la de especial, de vitelo, macio, frito na manteiga, delicioso, acompanhado de uma pint de cerveja de trigo. O Tito com medo de experimentar carnes desconhecidas se decidiu pour um goulash (carne cozida com paprica, tipico hungaro) que era bom, mas não tanto quanto o nosso schnitzel.
Esquecemos da foto do Schnitzel, mas tava delicioso!
Depois disso, voltamos para casa, logico que morrendo de frio.
2o dia. O cansaço pegou, a gripe chegou. Com o frio que fazia não tive escapatoria. Tivemos que ficar um pouco em casa, a tarde fomos para o nosso hotel que era do outro lado da cidade. Maior confusão com malas, metro, escadinhas. Chegamos no hotel, pagamos e pegamos as chaves. Agora sim, poderiamos descansar! Que nada, o recepecionista fez pegadinha e nos disse na maior cara dura que o nosso appart era ha 5 minutos... de metro... ou seja, 4 estações de la, ainda mais longe. Ai, o barato sai caro. A essa altura eu nem sentia mais minhas mãos.
A noite tinhamos recebido um convite para jantar no apto onde ela estava. Com outros amigos do leste da europa, eles a cada Natal organizavam um jantar natalino tipico balkans. Eramos representantes de varios paises, Eslovaquia, Republica Tcheca, Polônia (daonde vem nossa amiga), Bulgaria e finalmente Brasil. O jantar foi russo, de entrada, uma sopa de beterraba e como prato principal estrogonofe de carne (a moda russa), quase tão bom quanto o brasileiro. De sobremesa, champagne e cream cheese de morango. Ficamos até altas horas jogando Monopoly escrito em alemão. Sorte que nessa parte da europa alemão é quase lingua de sobrevivência (tipo inglês no resto do mundo) e nossos amigos traduziam as cartas para os brasileiros, unicos verdadeiros estrangeiros.
Quando não aguentavamos mais passar frio, entramos em um restaurante, sem pesquisar muito, parecia meio turistico, visto os preços praticados. Mas a sensação térmica nos impedia de ficar mais tempo na rua para encontrar algo que nos agradasse. Comecei por um cha de limão e quando reparei era da marca Dilmah. Sera que ha alguma ligação com o fato de o pai da presidenta ser hungaro? Depois decidi pelo prato tipico, o goulash, uma carne ensopada bem apimentada. Delicia! Apos atravessamos a ponte e fomos para o lado de Buda. Muitos monumentos historicos (preciso estudar mais para poder apresenta-los) e uma vista sobre Peste que era de babar. Lindo! A subida compensou a vista. Ficamos la mais um tempo, observando os monumentos que representam a grandeza que ja foi essa cidade, mas antes de irmos embora tivemos que fazer uma pausa para um vinho quente e um chocolate quente.
Rich and famous in Budapest
Com Alicja na beira do Danubio entre Buda e Peste
3o dia. Outros amigos que tinham passado o Natal na Alemanha, decidiram passar o reveillon em Viena. Ao nosso grupo se juntavam mais representantes da América Latina, como México e Equador. Detalhe, nunca falei tantas linguas ao mesmo tempo, português, francês, inglês e espanhol... As vezes misturava um pouco. Com a nossa trupe internacional fomos visitar Budapeste que fica ha 3 horas de onibus de Viena. Decidimos passar o dia la. Antigamente Budapeste e Viena eram as capitais do império Austro Hungaro que durou até o começo da Primeira Guerra. Nos sentimos ricos, pois a Hungria não faz parte da Zona do Euro, a moeda local é o forint, que equivale 300 vezes menos que o euro. Engraçado visitar um antigo pais comunista e ver tantas referências a essa época, trens antigos, estatuas com simbolos comunistas. Da para ver que foi uma região rica, mas que guarda um certo abandono, mas ao mesmo tempo tanto charme. O dia estava ensolarado, mas os -8°C com o ventinho na beira do Danubio não nos deixava enganar. Passei o pior frio da minha vida, mas Budapeste valia a pena. A visita começou por uma farmacia e ja pudemos constatar que as pessoas falam um inglês impecavel. Visitamos a faculdade de direito, o mercado publico, vimos trens e metros "vintage" da época do comunismo. Isso tudo do lado de Peste. A cidade é dividida em dois pelo rio e varias pontes fazem a ligação entre ambas as partes. Antes que eu esqueça, nesse dia comemoramos 8 anos desde que começamos a namorar!!
4o dia. Reveillon! Visitamos o centro, fizemos algumas compras e fomos no castelo onde havia os apartamentos da familia real. Estava mais interessada em ver os apartamentos da Sissi, a Imperatriz. Quem nunca viu os filmes com a Romy Schneider?
A Romy
Talvez eu esperasse um pouco mais, mas foi muito interessante conhecer um pouco da vida de uma rainha com gostos tão peculiares. Ela era viciada em ser magra, 45kg para 1,72m, não tinha um bom relacionamento com os filhos, passava 2hs por dia para ser penteada, gostava muito da Hungria e defendia seus interesses junto à sede do império em Viena, para isso aprendeu o hungaro... Tantas outras coisas mais. Aprendi ao mesmo tempo um pouco mais sobre historia.
O que faltou? Visitar o museu do Mozart e a casa da musica. O problema é que havia muitos turistas e so para visitar um museu, esperei 1h30 na fila. Com o frio que fazia, não tinha como ficar tanto tempo na rua para uma outra visita. Mais tarde fomos a um restaurante de schnitzel e uma cerveja de trigo. A noite fomos na casa da Chrissy e do Benny, amigos austriacos dos nossos amigos que nos convidaram para ir na casa deles. Muitos fogos de artificio! Comparado com a França é uma grande diferença, pois no reveillon não ha muitos fogos, bem mais raro.E à meia noite, tcharan!! dançamos valsa, o Danubio Azul. Tradição 100% austriaca!
Depois seguimos para o ap da minha outra amiga onde estava rolando uma festa com atores, artistas, etc. O que dizer? festa estranha, com gente esquisita... Todo mundo falando em alemão, musicas anos 80 do estilo "Voyage, voyage"... Enfim, o exotico la era ser normal, mas estava divertido.
5° dia. Dia de dizer tchau! tchau Viena, mas voltarei!