quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

So British...

Como disse anteriormente, fui qualificada, mas subentendido esta que fui qualificada a procurar um emprego no sistema publico de ensino superior na França. Ou seja, posso enviar meu curriculo para as universidades que oferecem cargos na minha area. Como é o caso de todo jovem doutor (que termo mais ridiculo!), terei que fazer o tour de France. Durante duas semanas todas as universidades que estejam interessadas no teu perfil vão te chamar para as audições (entrevistas) diante de um jury podendo ter mais de 10 professores. Imagina como estarao meus nervos.
Além disso, como sei que o fato de ser estrangeira pode tanto jogar a favor, como também pode ser um aspecto bem negativo em uma França em crise, resolvi jogar a carta international networking. Sei que toda faculdade adoraria melhorar a sua visibilidade internacional através de parcerias com outras universidades, em particular com os paises emergentes como Brasil e China. Sei também que o francês tem dificuldade com linguas estrangeiras (padrão de francês, mas ha varias exceçoes).
Além disso, o pessoal jura que eu falo super bem inglês. Pode? Alguém ja me viu falando, dando aula em inglês? Nops. Eles acham isso somente porque eu sou estrangeira. Não quero decepciona-los e por isso resolvi que era hora de desenvolver minhas competências linguisticas. Se é para apostar em algo, vou apostar aonde tenho mais chances. Em uma situação de concorrência, é preciso encontrar nichos poucos ou mal explorados por seus competidores. A gente se adapta e fala inglês desde criancinha e sem sotaque carregado de preferência hehe!
Por isso comecei aulas particulares com uma professora otima da Africa do Sul. Falamos somente com sotaque britânico, pois somos chiques! hehe. E o que era para ser mais uma etapa a superar, esta sendo meu momento preferido. Estou simplesmente amando progredir, melhorar minha pronuncia, pegar fluência... Estou realmente muito empolgada!

PS: Enquanto isso, meu português vai de mal a pior. Desculpa pelo inumeros erros de escrita.

Qualificada estou !

Esse retorno do mundo dos doutorandos, férias e rencoontro com a familia e inicio à uma nova etapa nao tem sido facil. E uma transição muito grande. Enquanto que passei mais de 4 anos com mil prazos e cobranças, sem conseguir curtir plenamente momentos de descontração pois me sentia culpada por nao estar escrevendo ou coletando dados para minha tese, depois parece que se abre um buraco.
As férias no Brasil foram um momento importante desta transição, desse poder se dar o direito de aproveitar e no fundo pensar "porque eu mereço". (Plagio da propaganda da L'oréal, mas saliento que boicoto veementemente esta marca que faz testes com animais.)
Mas a volta ao mundo da universidade foi um pouco perturbada, me sentindo em uma zona incerta, nem doutoranda, nem professora confirmada. O que eu sou? Em que grupo me situo ? Nao estou mais no sofrimento da redaçao, mas também nao sou reconhecida como igual entre meus "colegas" professores. Eis que um professor dos mais confirmados me chama, Laura, jeune docteur, jovem doutora.
Pois é, nao achei meu lugar, minha motivação para produzir qualquer coisa estava abaixo de zero. Porque me dedicar por uma instituição que não me aceita e que ao menos vai me manter no ano que vem. Pois é, não havera cargos para novos professores para o proximo ano letivo na minha universidade. Eu sei como as coisas funcionam, sao redes de contatos, alguns protegidos, alguns pistolões e a engrenagem anda. Meus padrinhos não conseguiram abrir as portas para eu entrar. O que significa que estou por mim mesma e terei que ser reconhecida como tal.
Algumas varias semanas com a moral na ponta do pé e algumas boas novas me mostram que nem tudo esta perdido nesse mundo de muitas panelinhas e o famoso QI (quem indica). Fui qualificada no CNU (conselho nacional das universidades na França). Isto é, passei a primeira etapa para ser admitida em alguma universidade publica francesa. A taxa de aprovação na minha area, administração, é de 45%, até que não estou tão mal assim. Sem querer me vangloriar demais, tive uma avaliadora conhecida por sua rigidez. Oba!!
Ai, vou juntando os caquinhos da minha moral e ok, let's do it! Começo a trabalhar na valorização das minhas pesquisas, preparo relatorios, resumos de tese e toda esse bla bla que provavelmente nao interessa quem me lê.  Recebo um email de um dos meus avaliadores da banca "Laura, andei pensando no teu trabalho e o que tu achas de te candidatar ao prêmio de tese?". Hein?? Como assim, sério mesmo? Mais que depressa comecei a preparar um dossier (outro entre tantos que eu ja estou fazendo), infelizmente nao basta so mandar a tese, precisa preparar resumo das pesquisas, cartas de recomendaçao, relatorios dos avaliadores da banca, etc. Burocratico tudo isso, né?
Não sei se ganharei algo, mas o que importa que tudo isso me ajudou a melhorar minha estima. Sobretudo, minha confiança no trabalho que demorou tanto, que me impediu de tirar férias durante tanto tempo, que me impediu de ver a minha familia por 2 anos, mas que fiz com muita dedicação.
Como eu vi em um blog de uma jeune docteur francesa (http://lapinobservateur.over-blog.com/):
- Você esta qualificada, dizia o site.
- Ok, então eu sou oficialmente pesquisadora... procurando um emprego, se deu conta a jovem doutora.